Conheça o BMW concept 4, o protótipo que antecipa o série 4 Рsó ele quer ter grade de radiador
13 de setembro de 2019 Р14:45 | Comentários desativados em Conheça o BMW concept 4, o protótipo que antecipa o série 4 Рsó ele quer ter grade de radiador

Estande da BMW no Sal√£o de Frankfurt d√° spoilers sobre as novas gera√ß√Ķes do S√©rie 4, al√©m de novidades para o nicho dos SUV-cup√™ e um novo carro el√©trico.
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Por que marcas chinesas copiam carros de outros fabricantes?

Submitted by on 11 de dezembro de 2018 – 14:03No Comment

As marcas ocidentais até tentam, mas é difícil acabar com as cópias chinesas. Porém, isso está começando a mudar.

Imitação do Evoque, o Landwind X7 é apenas uma entre tantas cópias fabricadas na China.

‚ÄúNada se cria, tudo se copia.‚ÄĚ A frase do saudoso Jos√© Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, tinha como alvo os programas de TV. Por√©m, ela cabe como uma luva para alguns fabricantes de autom√≥veis ‚Äď e de tantos outros produtos ‚Äď chineses.

Mas a pergunta que fica é: por que ninguém faz nada? As marcas afetadas até tentam, mas esbarram em muitos empecilhos. O primeiro, por sua vez, não é um problema exclusivo.

‚ÄúChineses s√£o adeptos de c√≥pias tanto quanto qualquer outra nacionalidade cujo sentimento individual de prote√ß√£o √† propriedade intelectual seja baixo e desde que os custos de adquirir c√≥pias sejam compensadores‚ÄĚ, explica Yi Shin Tang, professor doutor no Instituto de Rela√ß√Ķes Internacionais da USP.

Alexandre Uehara, coordenador do Grupo de Estudos sobre √Āsia da USP vai mais a fundo. ‚ÄúUtilizando a engenharia reversa, as empresas chinesas se desenvolveram por meio de produtos de baixa tecnologia e baixo valor agregado, que se justificava sob o argumento de que √© um elogio ser copiado‚ÄĚ, diz.

Os chineses acreditavam que as companhias copiadas deveriam se sentir orgulhosas por serem alvo do pl√°gio. Isso significaria que elas est√£o fazendo um bom trabalho.

A China ainda tem mais peculiaridades. Para estar l√°, as empresas precisam compartilhar o conhecimento. O governo chin√™s consegue impor uma pol√≠tica protecionista e somente autoriza montadoras ocidentais a operarem no pa√≠s com a condi√ß√£o de transferirem tecnologia localmente ‚Äď as famosas joint-ventures. Essa pol√≠tica estar√° em vigor at√© 2022.

E por que n√£o parar de vender ou produzir na China? Essa medida extrema nem sequer entra em pauta. A China √©, de longe, o maior mercado mundial de autom√≥veis. Em 2017, quase 30 milh√Ķes de ve√≠culos novos foram registrados ‚Äď 13 vezes mais que o Brasil. O pa√≠s ainda √© o n√ļmero 1 para diversas fabricantes ‚Äď especialmente as Premium.

A import√Ęncia da China vai al√©m. Ela tamb√©m √© pe√ßa fundamental em redu√ß√£o de custos de produ√ß√£o (m√£o de obra barata) na tentativa de tornar os produtos mais competitivos no mercado internacional. Por outro lado, existem leis que protegem a propriedade intelectual e industrial, mas elas n√£o s√£o aplicadas. Segundo Uehara, a contesta√ß√£o √© feita pelas empresas, por√©m sem resultados que de fato impe√ßam a continuidade da comercializa√ß√£o.

A Honda, por exemplo, levou 12 anos para vencer o processo contra um fabricante local. Em 2016, a Jaguar Land Rover entrou na Justi√ßa contra a Landwind, mas o X7 ‚Äď o Evoque chin√™s ‚Äď est√° no mercado desde 2014 e √© um sucesso: responde por 60% das vendas da fabricante chinesa.

Shin Tang ainda mostra que, com as negocia√ß√Ķes nos anos 90 para inclus√£o da China na Organiza√ß√£o Mundial do Com√©rcio (OMC), os chineses adquiriram certo jogo de cintura. ‚ÄúA prova de que os chineses t√™m aprendido a lidar com as institui√ß√Ķes multilaterais √© que eles t√™m conseguido obter mais benef√≠cios nessas institui√ß√Ķes do que as grandes pot√™ncias t√™m conseguido induzir comportamentos chineses‚ÄĚ, afirma.

No entanto, o fato de estarmos lidando com um gigantesco mercado consumidor ainda √© um dado importante no assunto. Com a crise econ√īmica, principalmente ap√≥s a de 2008, quanto maior o valor agregado, mais o consumidor avalia a rela√ß√£o entre custo e benef√≠cio. ‚ÄúOs consumidores passaram a optar pelos produtos mais baratos e abriram m√£o da qualidade‚ÄĚ, avalia o professor da USP.

Cópias protegidas
O cen√°rio, no entanto, est√° mudando. As marcas est√£o cada vez mais impondo barreiras a esse processo. ‚ÄúAs dificuldades das empresas estrangeiras em garantir os segredos empresariais fez com que se tomassem mais cuidados no relacionamento com as companhias chinesas e tamb√©m com os elos da cadeia produtiva‚ÄĚ, diz Uehara.

As empresas copiadas tamb√©m seguem outras estrat√©gias al√©m da mera prote√ß√£o legal. ‚ÄúNo caso de pe√ßas automobil√≠sticas, elas v√™m tentando tornar seus itens cada vez mais dif√≠ceis de serem copiados do ponto de vista t√©cnico, de forma a evidenciar para o consumidor a diferen√ßa de qualidade e est√©tica entre um original e uma c√≥pia‚ÄĚ, completa Shin Tang.

Ao longo do tempo, o conhecimento acumulado com as imita√ß√Ķes formou um know-how na China que tem estimulado o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias. Os investimentos em ensino superior e centros de pesquisa tamb√©m t√™m sido significativos.

Al√©m disso, o pa√≠s j√° √© o segundo em pedidos de patentes √† Organiza√ß√£o Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Em 2017, foram 48.882 solicita√ß√Ķes. Se essa tend√™ncia atual continuar, a OMPI estima que em tr√™s anos a China vai ultrapassar os EUA ‚Äď primeiro do ranking.

Texto: Raphael Panaro

Fonte: Quatro Rodas

Portal Rod√£o

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