Confira as novidades apresentadas no Salão Duas Rodas
20 de novembro de 2017 – 13:49 | Comentários desativados

As principais empresas do setor de motos do Brasil apresentaram suas novidades para 2018 no Salão Duas Rodas, em São Paulo. Mesmo em um mercado que ainda sente os efeitos da crise econômica, foi possível …

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Lojas de carros antigos têm marcas variadas, financiamento e até bar

Submitted by on 22 de outubro de 2013 – 9:14No Comment

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Há cerca de quatro meses, São Paulo ganhou mais uma loja de carros. Seria apenas mais um showroom entre milhares que embaralham o panorama caótico da cidade e que passam despercebidos não fossem seus integrantes. Há de tudo: Porsche, Mercedes-Benz, Rolls-Royce, Ford, Fiat, Mini. Só que o 911 Targa lá não é 0 km, e sim uma unidade 1974; o Cinquecento azul só compartilha o nome com o atual, já que fora produzido em 1968; e é impossível comprar uma Pagoda em alguma concessionária da Mercedes atualmente, dado o fim da produção do roadster em 1971.

A Universo Marx Mille Duke, no bairro de Moema, engrossa uma lista que tende a acompanhar o atual momento de ascensão do chamado antigomobilismo. Até então redutos de aficionados e muitas vezes confundidas com meras oficinas, as lojas de automóveis antigos atualmente se aproximam do conceito das concessionárias convencionais – seja no visual mais sofisticado, no atendimento ou nos serviços oferecidos.

Num espaço de pouco mais de 200 m², a loja acomoda aproximadamente 15 carros e 10 motos – volumes que podem variar conforme o tamanho dos hóspedes –, além de um estoque que pode ir de 30 a 70 unidades. No site, que responde por 50% das cerca de 10 vendas mensais, mais 100 unidades aproximadamente são ofertadas.

Um dos sócios da empresa, Maurício Marx cita o pós-venda como um dos diferenciais da loja. “Não está nos planos fazer manutenção pela demanda, que é reduzida. A mão de obra é muito específica, e não dá para montar uma estrutura para cada marca ou modelo. Ou seja, um mecânico de alto padrão para modelos da Porsche, outro para os Bentley, outro para Aston Martin e assim por diante, é muito caro e quase impossível de manter”, explica. “Mas temos o tapeceiro, o funileiro ou o eletricista certos para cada tipo de serviço e tamanho do bolso”, garante Marx. A loja também não financia, mas está em busca de parceiros para compras parceladas.

O comerciante ainda destaca que o perfil da loja, “onde se encontram amigos, sem a pressão da venda”, permite uma proximidade com os clientes, e assim uma “consultoria” sobre como viver a experiência de ter um clássico na garagem.

De Fusca a Rolls-Royce

No ramo desde 1999, Marx entende que não há mais tantas diferenças entre as lojas brasileiras e as norte-americanas e europeias. “A qualidade dos carros se equipara. Mas há carros mais raros lá fora, além da quantidade, que é muito maior”, explica. O tipo de consumidor também é similar: “recebemos todos os perfis aqui. Desde o colecionador, passando pelo investidor, até o comprador sem muitos recursos, que está adquirindo seu primeiro clássico e entrando agora para o antigomobilismo”, analisa. Tão amplo quanto o perfil do comprador é sua faixa etária, que segundo o proprietário varia de 30 a 70 anos.

O mesmo tipo de público recebe a San Diego Motors. “Nosso cliente é o profissional bem-sucedido, acima de 25 anos, sendo os homens de 40 a 50 anos os que mais compram”, avalia o proprietário Murillo Cerchiari.

Na visão de ambos, um dos principais entraves para a compra de um automóvel clássico é o medo de colocar o carro para usar. “Temos que acabar com a visão de que carro antigo quebra. Carro antigo quebra se não andar. Tenho cliente que comprou um Fusca tendo um Land Rover blindado, e o carro do rodízio acabou virando o Land Rover, e não o Fusca. Se antigamente esses carros eram os novos e confiáveis, por que não hoje, que existem peças de reposição e que podem melhor o consumo e reduzir o desgaste?”, questiona Marx.

Outro “problema” para quem pensa num carro antigo – geralmente um supérfluo – pode ser o ciúme da esposa, diz o comerciante. “Ele é um competidor, já que em alguns casos a entrega do homem é maior pelo carro do que pela mulher. A regra básica é: comprou um carro aqui tem que ir direto para primeira joalheria comprar um presente para ela”, brinca Marx.

O mesmo obstáculo enfrenta Cerchiari com seus clientes: “Muitas vezes o cara namora o carro por muito tempo, mas acaba desistindo por medo da mulher. Ou, quando vai em frente e realiza o sonho, mente em relação ao valor, alegando um preço bem inferior ao que realmente desembolsou”, conta.
180% de imposto

Além do medo de quebrar e de um potencial divórcio, outro receio de quem coleciona (ou pretende começar uma coleção de) automóveis clássicos são os impostos, que podem chegar a 180% sobre o valor do veículo, lamenta Cerchiari. “O programa Inovar Auto (conjunto de regras do governo para montadoras e importadoras) interferiu também sobre os antigos. Como o IPI (Imposto sobre produtos industrializados) é calculado baseado na cilindrada do motor, os impostos podem chegar a quase o triplo do preço do carro, já que a maioria esmagadora dos antigos é de alta cilindrada. Some ao preço final mais US$ 11 mil de frete e documentação”, explica.

No segundo ano de vida – e com 150 veículos importados no currículo, entre eles um Chevrolet Corvette Pace Car de 1978 com apenas 650 km rodados –, a San Diego, na Vila Leopoldina, aposta numa abordagem diferenciada. Clássicos nacionais e importados dividem espaço com um bar e um bom acervo de peças e mobília antiga.

Em 10 prestações

Assim como o proprietário da Universo Marx, Mille Duke, Cerchiari enxerga o antigomobilismo como um dos melhores investimentos atualmente. Prova disso é o Dodge Charger R/T 1977 das fotos. “Se me oferecessem esse carro há cinco ou seis anos por R$ 5 mil, eu acharia muito caro e não compraria. Hoje eu vendo esse por R$ 85 mil. E, se tivesse dez dele, venderia os dez”, explica. O valor é alto, mas entre os serviços oferecidos pela San Diego está o financiamento em até 10 vezes – troca, importação e consignação são outros benefícios.

Outra semelhança entre as duas lojas é a oferta de produtos, sempre focada em carros com 30 anos ou mais – a procura por futuros clássicos, como VW Gol GTI e Ford Escort XR3 é reconhecia por ambas, mas a comercialização desses modelos fica restrita ao site.

Além dessas, há pelo menos mais 3 endereços em São Paulo com proposta parecida. Enquanto Cerchiari vê a abertura de novas lojas como uma tendência, Marx avalia que a internet ajudou muito as pessoas a encontrar o que procuram e a mostrar o que têm. “Ainda tem muita coisa guardada e muita coisa escondida. O comércio de carros antigos nunca vai acabar”, acredita.

Fonte: Rodrigo Mora / G1
Foto: Flavio Moraes / G1

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