Apesar de política indefinida, empresas testam mercado de carros elétricos no Brasil
25 de setembro de 2017 – 16:42 | Comentários desativados

Enquanto o governo não define uma política para carros elétricos e híbridos, novas empresas do ramo chegam para testar o mercado brasileiro. A Hitech Electric, do brasileiro Rodrigo Contin, iniciou em maio a importação de …

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Lojas de carros antigos têm marcas variadas, financiamento e até bar

Submitted by on 22 de outubro de 2013 – 9:14No Comment

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Há cerca de quatro meses, São Paulo ganhou mais uma loja de carros. Seria apenas mais um showroom entre milhares que embaralham o panorama caótico da cidade e que passam despercebidos não fossem seus integrantes. Há de tudo: Porsche, Mercedes-Benz, Rolls-Royce, Ford, Fiat, Mini. Só que o 911 Targa lá não é 0 km, e sim uma unidade 1974; o Cinquecento azul só compartilha o nome com o atual, já que fora produzido em 1968; e é impossível comprar uma Pagoda em alguma concessionária da Mercedes atualmente, dado o fim da produção do roadster em 1971.

A Universo Marx Mille Duke, no bairro de Moema, engrossa uma lista que tende a acompanhar o atual momento de ascensão do chamado antigomobilismo. Até então redutos de aficionados e muitas vezes confundidas com meras oficinas, as lojas de automóveis antigos atualmente se aproximam do conceito das concessionárias convencionais – seja no visual mais sofisticado, no atendimento ou nos serviços oferecidos.

Num espaço de pouco mais de 200 m², a loja acomoda aproximadamente 15 carros e 10 motos – volumes que podem variar conforme o tamanho dos hóspedes –, além de um estoque que pode ir de 30 a 70 unidades. No site, que responde por 50% das cerca de 10 vendas mensais, mais 100 unidades aproximadamente são ofertadas.

Um dos sócios da empresa, Maurício Marx cita o pós-venda como um dos diferenciais da loja. “Não está nos planos fazer manutenção pela demanda, que é reduzida. A mão de obra é muito específica, e não dá para montar uma estrutura para cada marca ou modelo. Ou seja, um mecânico de alto padrão para modelos da Porsche, outro para os Bentley, outro para Aston Martin e assim por diante, é muito caro e quase impossível de manter”, explica. “Mas temos o tapeceiro, o funileiro ou o eletricista certos para cada tipo de serviço e tamanho do bolso”, garante Marx. A loja também não financia, mas está em busca de parceiros para compras parceladas.

O comerciante ainda destaca que o perfil da loja, “onde se encontram amigos, sem a pressão da venda”, permite uma proximidade com os clientes, e assim uma “consultoria” sobre como viver a experiência de ter um clássico na garagem.

De Fusca a Rolls-Royce

No ramo desde 1999, Marx entende que não há mais tantas diferenças entre as lojas brasileiras e as norte-americanas e europeias. “A qualidade dos carros se equipara. Mas há carros mais raros lá fora, além da quantidade, que é muito maior”, explica. O tipo de consumidor também é similar: “recebemos todos os perfis aqui. Desde o colecionador, passando pelo investidor, até o comprador sem muitos recursos, que está adquirindo seu primeiro clássico e entrando agora para o antigomobilismo”, analisa. Tão amplo quanto o perfil do comprador é sua faixa etária, que segundo o proprietário varia de 30 a 70 anos.

O mesmo tipo de público recebe a San Diego Motors. “Nosso cliente é o profissional bem-sucedido, acima de 25 anos, sendo os homens de 40 a 50 anos os que mais compram”, avalia o proprietário Murillo Cerchiari.

Na visão de ambos, um dos principais entraves para a compra de um automóvel clássico é o medo de colocar o carro para usar. “Temos que acabar com a visão de que carro antigo quebra. Carro antigo quebra se não andar. Tenho cliente que comprou um Fusca tendo um Land Rover blindado, e o carro do rodízio acabou virando o Land Rover, e não o Fusca. Se antigamente esses carros eram os novos e confiáveis, por que não hoje, que existem peças de reposição e que podem melhor o consumo e reduzir o desgaste?”, questiona Marx.

Outro “problema” para quem pensa num carro antigo – geralmente um supérfluo – pode ser o ciúme da esposa, diz o comerciante. “Ele é um competidor, já que em alguns casos a entrega do homem é maior pelo carro do que pela mulher. A regra básica é: comprou um carro aqui tem que ir direto para primeira joalheria comprar um presente para ela”, brinca Marx.

O mesmo obstáculo enfrenta Cerchiari com seus clientes: “Muitas vezes o cara namora o carro por muito tempo, mas acaba desistindo por medo da mulher. Ou, quando vai em frente e realiza o sonho, mente em relação ao valor, alegando um preço bem inferior ao que realmente desembolsou”, conta.
180% de imposto

Além do medo de quebrar e de um potencial divórcio, outro receio de quem coleciona (ou pretende começar uma coleção de) automóveis clássicos são os impostos, que podem chegar a 180% sobre o valor do veículo, lamenta Cerchiari. “O programa Inovar Auto (conjunto de regras do governo para montadoras e importadoras) interferiu também sobre os antigos. Como o IPI (Imposto sobre produtos industrializados) é calculado baseado na cilindrada do motor, os impostos podem chegar a quase o triplo do preço do carro, já que a maioria esmagadora dos antigos é de alta cilindrada. Some ao preço final mais US$ 11 mil de frete e documentação”, explica.

No segundo ano de vida – e com 150 veículos importados no currículo, entre eles um Chevrolet Corvette Pace Car de 1978 com apenas 650 km rodados –, a San Diego, na Vila Leopoldina, aposta numa abordagem diferenciada. Clássicos nacionais e importados dividem espaço com um bar e um bom acervo de peças e mobília antiga.

Em 10 prestações

Assim como o proprietário da Universo Marx, Mille Duke, Cerchiari enxerga o antigomobilismo como um dos melhores investimentos atualmente. Prova disso é o Dodge Charger R/T 1977 das fotos. “Se me oferecessem esse carro há cinco ou seis anos por R$ 5 mil, eu acharia muito caro e não compraria. Hoje eu vendo esse por R$ 85 mil. E, se tivesse dez dele, venderia os dez”, explica. O valor é alto, mas entre os serviços oferecidos pela San Diego está o financiamento em até 10 vezes – troca, importação e consignação são outros benefícios.

Outra semelhança entre as duas lojas é a oferta de produtos, sempre focada em carros com 30 anos ou mais – a procura por futuros clássicos, como VW Gol GTI e Ford Escort XR3 é reconhecia por ambas, mas a comercialização desses modelos fica restrita ao site.

Além dessas, há pelo menos mais 3 endereços em São Paulo com proposta parecida. Enquanto Cerchiari vê a abertura de novas lojas como uma tendência, Marx avalia que a internet ajudou muito as pessoas a encontrar o que procuram e a mostrar o que têm. “Ainda tem muita coisa guardada e muita coisa escondida. O comércio de carros antigos nunca vai acabar”, acredita.

Fonte: Rodrigo Mora / G1
Foto: Flavio Moraes / G1

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