Conheça o BMW concept 4, o protótipo que antecipa o série 4 Рsó ele quer ter grade de radiador
13 de setembro de 2019 Р14:45 | Comentários desativados em Conheça o BMW concept 4, o protótipo que antecipa o série 4 Рsó ele quer ter grade de radiador

Estande da BMW no Sal√£o de Frankfurt d√° spoilers sobre as novas gera√ß√Ķes do S√©rie 4, al√©m de novidades para o nicho dos SUV-cup√™ e um novo carro el√©trico.
Uma das atra√ß√Ķes da BMW¬† no Sal√£o …

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GRANDES BRASILEIROS: FORD DEL REY

Submitted by on 23 de setembro de 2016 – 8:25No Comment

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Derivado do Corcel, ele foi o mais sofisticado nacional da fábrica ao longo de quase uma década

Quanto voc√™ pagou o litro de gasolina a √ļltima vez que abasteceu o carro? Quanto voc√™ julga que estar√° o litro de gasolina daqui a seis meses? Essas duas quest√Ķes encerravam uma sabatina a que foram submetidos 1.000 convidados a responder uma pesquisa promovida pela Ford em maio de 1978.

Era uma √©poca em que o consumo de combust√≠vel era fator decisivo de compra. Durante cinco dias, estiveram expostos no Clube Athletico Paulistano novos projetos do Maverick, varia√ß√Ķes da linha Corcel II e carros da concorr√™ncia, mais especificamente Opala e Passat.

Brindados com uma garrafa de vinho portugu√™s Fam√≠lia Mor, os convidados ‚Äď entre eles um infiltrado rep√≥rter de QUATRO RODAS ‚Äď enfrentaram uma maratona de senta-levanta comparando os carros e respondendo a v√°rios question√°rios. O futuro novo Maverick de quatro portas, com mais espa√ßo para passageiros, n√£o vingou.

Mas l√° estava o embri√£o do Del Rey, um tr√™s-volumes com o qual a Ford pretendia ocupar o lugar de seus grandes Galaxie e Maverick. Numa outra cl√≠nica, realizada quatro meses depois, as vers√Ķes de duas e quatro portas do futuro Del Rey j√° apareceriam com as formas pr√≥ximas das definitivas, evolu√ß√£o dos estudos que haviam come√ßado em 1976.

Fazer carros confiáveis, confortáveis e com ótimo acabamento. Esses valores estavam cristalizados na mente dos consumidores. Acontece que a linha Galaxie vivia seu outono e os Maverick já haviam entrado para a história. E, embora não fizessem feio, os carros da linha Corcel não eram propriamente representantes da categoria luxo.

Enquanto a rival GM tinha os Opala nas vers√Ķes Comodoro e Diplomata, a Ford ficaria a p√© num segmento em que j√° havia sido refer√™ncia. A id√©ia de criar um Corcel diferenciado deu a partida no projeto √Ēmega, que viria a ser o Del Rey.

No fim de maio de 1981, o novo Ford apareceu na forma de duas e quatro portas e em duas vers√Ķes de acabamento. Com motor 1.6 do Corcel ‚Äď a vers√£o 2.3 usada no Maverick chegou a ser cogitada ‚Äď a vers√£o Ouro era a mais completa, com todos os opcionais dispon√≠veis.

Al√©m dos cintos de seguran√ßa retr√°teis, havia trava el√©trica das portas com bloqueio para crian√ßas nas traseiras e acionamento el√©trico de vidros, requintes n√£o dispon√≠veis nem mesmo no Galaxie Landau. Acima de tudo ficava a marca registrada do Del Rey: um console no teto abrigava, al√©m das luzes de leitura, um rel√≥gio digital com fun√ß√£o de cron√īmetro num vistoso mostrador azul. Coisa de avi√£o!

Os bancos dianteiros ofereciam conforto e firmeza, e eram revestidos de um tecido de qualidade superior. Atrás, resolvido o problema da baixa estatura do Corcel, permaneceu o escasso espaço para as pernas. A suspensão, melhorada em relação ao Corcel, era mais firme nas curvas, mas sem comprometer a suavidade ao rodar.

Aproveitando-se do mais que testado motor 1.6 que equipava o Corcel, de 69 cavalos, era de se supor que o Del Rey, que tinha 74 quilos a mais, tivesse uma agilidade econ√īmica. Isso melhorou em 1984, com a ado√ß√£o do CHT, o aprimoramento do velho motor 1.6. Desde o ano anterior j√° estava dispon√≠vel nas concession√°rias a op√ß√£o do c√Ęmbio autom√°tico.

Mas a esperteza do Del Rey melhorou significativamente quando o regime de comunhão de motores e plataformas do casamento entre Volkswagen e Ford, que começaram a flertar em 1986, deu origem à Autolatina. O romance proporcionou ao Del Rey o usufruto do vigoroso AP 800, o 1.8 da Volks, em 1989.

Com suas qualidades cong√™nitas mais os aprimoramentos mec√Ęnicos que se seguiram, o Del Rey foi um coringa da Ford no jogo do segmento de luxo dos carros nacionais e enfrentou com valentia a chegada de Santana e Monza. A dire√ß√£o hidr√°ulica passou a ser de s√©rie em 1986, um ano depois de o carro ganhar um facelift e as vers√Ķes GL, GLX e Ghia, top de linha.

Quem tiver o privil√©gio de dirigir um Del Rey em perfeito estado nos dias de hoje, como o carro de S√©rgio Minervini, vai se surpreender. Movido a √°lcool, ele (o carro) faz parte da turma de 1988 e conta com apenas 7.100 quil√īmetros registrados no hod√īmetro. Com uma suspens√£o com qualidades suficientes para encarar os dias de hoje, o carro roda firme e silencioso, ignorando os relevos asf√°lticos.

Seu desempenho √© compat√≠vel com as demandas urbanas atuais. J√° n√£o poderia assegurar a mesma desenvoltura numa estrada com limites mais altos de velocidade, com toda a fam√≠lia a bordo. Tanto a suspens√£o como ‚Äď principalmente ‚Äď o motor n√£o nasceram para grandes performances.

No teste publicado em mar√ßo de 1988, aos 120 km/h, a vers√£o Ghia do Del Rey apresentou alto n√≠vel de ru√≠do, um sinal inequ√≠voco dos limites do antigo projeto do motor. Melhor figura faz ‚Äď ainda hoje ‚Äď seu acabamento, coisa de servir de exemplo para os netos.

Fabricado ao longo de uma d√©cada, o Del Rey vendeu cerca de 350.000 unidades. Se em mat√©ria de tecnologia e design ele n√£o foi um ‚Äúponta-de-lan√ßa‚ÄĚ, por outro lado cumpriu com hero√≠smo sua miss√£o: com seus limitados recursos, enfrentou crises econ√īmicas e soube defender os valores da marca no p√°reo dos carros nacionais de luxo.

TEXTO: Sérgio Berezovsky
FONTE: Quatro Rodas

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