Hyundai Kauai: tudo sobre o novo modelo
22 de outubro de 2017 – 10:36 | Coment√°rios desativados

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GRANDES BRASILEIROS: DKW BELCAR

Submitted by on 15 de abril de 2016 – 13:41No Comment

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Pequeno mas confortável, o DKW tinha um inesquecível motor de dois tempos, com ruído típico e escapamento capaz de arrasar um quarteirão

O propriet√°rio de um Vemag podia ser identificado pelo cheiro das roupas. √Č que do escapamento exalava um odor t√≠pico da queima da mistura de √≥leo na gasolina. Iconoclasta, o carro contrariava os valores vigentes no ambiente automotivo da √©poca: tinha motor dois tempos e tra√ß√£o dianteira. Um subversivo.

O primeiro carro nacional foi um DKW, sigla que todos ‚Äúliam‚ÄĚ como Decav√™. Ou melhor, uma DKW. A perua que depois viria a ser conhecida por Vemaguet inaugurou a f√°brica no bairro do Ipiranga, em S√£o Paulo, em 1956. Dois anos depois, foi a vez de o sed√£ conhecer os paralelep√≠pedos de nossas ruas. Com 27 cm a mais que o Fusca, o sed√£, que mais tarde recebeu o nome Belcar, transportava com relativo conforto seis pessoas, mais bagagem. Logo ganhou um apelido: Deixav√™. Suas portas dianteiras abriam ao contr√°rio (as dobradi√ßas ficavam na parte posterior) e exigiam habilidade das mo√ßas para que suas saias n√£o premiassem os olhares √°vidos. Mas, para tristeza da torcida, as portas passaram a abrir de modo convencional no modelo 64.

Naquele mesmo ano, a Vemag lan√ßou o luxuoso Fissori. O motor do DKW n√£o fazia feio em mat√©ria de desempenho. Tinha 900 cm3 na √©poca do lan√ßamento e passou para 1‚ÄČ000 tr√™s anos depois. Com esse motor, em agosto de 1961, o DKW foi o primeiro carro testado por QUATRO RODAS, cravando 31,3 segundos no 0 a 100 km/h e batendo nos 124,8 km/h de m√°xima. Mais do que o espa√ßo e o desempenho, foi o som do motor que virou marca registrada. O escapamento trombeteava um pooo, p√≥, p√≥, p√≥, p√≥… anunciando a presen√ßa de um deles nas cercanias. Sua fama de carro econ√īmico e de f√°cil manuten√ß√£o logo se espalhou. E o DKW reinou na pra√ßa, como se dizia: era comum os t√°xis da marca rodarem 24 horas por dia nas m√£os de motoristas que se revezavam.

O motor tinha tr√™s pist√Ķes, tr√™s bobinas e tr√™s platinados que exigiam habilidade do mec√Ęnico para regular. Um enigm√°tico emblema 3 = 6 procurava disseminar, com excesso de otimismo, a ideia de que com apenas tr√™s cilindros ele tinha desempenho de um motor de seis. Ao abastecer, era necess√°rio adicionar 1 litro de √≥leo dois tempos para cada tanque de 40 litros. Outra singularidade do carro era a chamada roda livre, um mecanismo que, acionado, deixava as rodas girarem livremente quando se tirava o p√© do acelerador, economizando combust√≠vel. Perfeito se n√£o fossem as longas descidas, quando o carro ficava solto, exigindo mais dos freios. O sed√£ seguiu por dez anos sem sofrer grandes mudan√ßas. S√≥ em 1967, ano de sua despedida, √© que a frente ganhou uma grade com frisos horizontais, no lugar do cl√°ssico oval.

O DKW Vemag 1000 da foto √© um Belcar 63, com 18‚ÄČ000 km originais. Dirigi-lo vai al√©m da experi√™ncia de pilotar um antigo, j√° que o motor dois tempos exige adapta√ß√£o. Em primeiro lugar, o carrinho surpreende pela prontid√£o com que acelera. O motor sobe r√°pido de giro. Como o curso da alavanca do c√Ęmbio de quatro marchas √© longo, recomenda-se dar uma acelerada nas trocas de marchas (tanto nas ascendentes como nas reduzidas) para que a rota√ß√£o n√£o caia. Ru√≠do interno √© eufemismo: ele √© mesmo barulhento e, para conversar durante a viagem, s√≥ aumentando o volume da voz. Mas que gra√ßa teria um DKW silencioso? Nem todos pertenciam ao f√£-clube dos Vemag. Os que pegavam um DKW pela proa durante um congestionamento n√£o poupavam a genitora do seu propriet√°rio: os rolos de fuma√ßa do escape chegavam a causar enjoos em organismos mais sens√≠veis.

FONTE: Quatro Rodas
TEXTO: Sérgio Berezovsky

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