Toyota Yaris sedã começa a chegar às concessionárias
12 de julho de 2018 – 8:51 | Coment√°rios desativados

 Configuração sedã do Yaris começou a ser fabricada na semana passada e já chegou a concessionárias da marca no país
O Toyota Yaris sed√£ j√° come√ßou a chegar √†s concession√°rias da marca, de acordo com informa√ß√Ķes …

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GRANDES BRASILEIROS: DARDO F-1.3

Submitted by on 12 de maio de 2016 – 9:30No Comment

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A f√≥rmula consagrada para os fora-de-s√©rie nacionais era: carroceria de fibra de vidro + mec√Ęnica VW refrigerada a ar. No fim dos anos 70, √©pocaem que estavam em alta no mercado, quase todos os especiais compactos eram feitos com base nessa combina√ß√£o. Custo mais baixo e facilidade de manuten√ß√£o falavam a seu favor. Mas nem todos os pequenos fabricantes pensavam assim. Apresentado no Sal√£o do Autom√≥vel de 1978, o Dardo F-1.3 quebrou a tradi√ß√£o ao utilizar o motor do Fiat 147 Rallye. Ousadia ainda maior foi coloc√°-lo entre os eixos do esportivo, nosso primeiro com motor central. O modelo come√ßou a ser produzido em agosto do ano seguinte.

O Dardo tinha plataforma própria, feita de tubos de aço revestidos de plástico. Mais sofisticado e exclusivo que seus pares de fibra, o esportivo era a cópia quase fiel do esportivo X 1/9, vendido sob a marca de Turim no exterior. Por aqui, seu equivalente nacional teve chassi e suspensão adaptados pelo preparador Toni Bianco para a Corona S.A., empresa do Grupo Caloi, em Diadema (SP). A Fiat até capitalizou a idéia e passou não só a vendero esportivo como também a fornecer o suporte da rede para garantia e manutenção.

Ap√≥s ganhar uma vers√£o a √°lcool de 62 cv, o Dardo teve painel e p√°rachoques reestilizados em 1981. A chegada do motor de 1,5 litro de 96 cv no ano seguinte foi a √ļltima grande novidade preparada pela Corona para o modelo, que ela produziu por mais um ano. Mas, ao contr√°rio do que muitos pensaram, esse n√£o seria o fim do Dardo. O projeto foi adquirido pelo empres√°rio italiano Ros√°rio Di Priolo, que passou a montar o esportivo sem grande alarde no munic√≠pio de Cotia (SP), sob a marca Grifo. O pr√≥prio Toni Bianco ajudou na instala√ß√£o da f√°brica. O Dardo ganhou frente e traseira redesenhadas com vistas a um poss√≠vel contrato de exporta√ß√£o para os Estados Unidos, que acabou sendo economicamente invi√°vel.

A dianteira lembrava muito a do Porsche 928, com far√≥is circulares que se inclinavam para a frente quando acesos.‚ÄúTenho cerca de 50 carros, entre prontos e semiprontos, estocados aqui‚ÄĚ, revela o empres√°rio. Ele admite que o neg√≥cio n√£o prosperou porque ele se concentrou mais nos aspectos t√©cnicos do modelo que nos comerciais. Segundo o empres√°rio italiano, na fase da Grifo ainda era poss√≠vel encomendar os Dardo em concession√°rias Fiat, mas ele n√£o soube precisar at√© quando. Di Priolo teve problemas com a desapropria√ß√£o do terreno onde ficava a f√°brica. A produ√ß√£o se encerrouem 1985. No entanto, ele afirma que vendeu a √ļltima unidade em 2004. A boa not√≠cia √© que os propriet√°rios do Dardo podem encomendar pe√ßas de reposi√ß√£o junto √† Grifo, como fez o dono do exemplar aqui mostrado.
O Dardo das fotos pertence a um colecionador do estado do Rio de Janeiro, que prefere n√£o se identificar. F√£ do modelo desde que o viu pela primeira vez em 1980 numa concession√°ria Fiat, ele soube que o m√ļsico paulista Lelo Naz√°rio estava se desfazendo de um Dardo bem conservado, com 62.000 quil√īmetros rodados, que ele mantinha com grande zelo havia 20 anos.

Por ter ficado parado por muito tempo, o Dardo precisou de pintura e uma boa revis√£o mec√Ęnica. O servi√ßo foi feito numa oficina de restaura√ß√£o de antigos em Petr√≥polis (RJ), que vem se especializando nos fora-de-s√©rie nacionais e que come√ßou como hobby de fam√≠lia. O restaurador Andr√© Valente, seu irm√£o Miguel e o pai Vicente tinham acabado de restaurar dois Puma GTS 1974 para uso pr√≥prio. Receberam muitos elogios pelotrabalho. ‚ÄúCome√ßamos a ser procurados para fazer servi√ßos para terceiros‚ÄĚ, conta Valente. De cara, eles se incumbiram de recuperar um dos tr√™s Puma GT 4R, modelo exclusivo que QUATRO RODAS sorteou entre seus leitores em 1969, e um Puma Spider 1971. Este pertence ao empres√°rio Kiko Malzoni, filho de Rino Malzoni, simplesmente o criador do primeiro Puma.

O painel do Dardo estava razoavelmente personalizado. Volante, espelho retrovisor interno e manopla do c√Ęmbio haviam sido trocados e o console teve o cinzeiro substitu√≠do por v√°rios bot√Ķes. Para sorte do novo dono, Naz√°rio havia guardado as pe√ßas originais com o manual do propriet√°rio. Elas foram uma a uma recolocadas no Dardo. Instrumentos americanos da Avionics e a tampa do motor Abarth de alum√≠nio cederam espa√ßo para os originais previstos pela Corona. As rodas BBS foram substitu√≠das pelas originais.

Ao desmontar o Dardo, o restaurador descobriu que a tonalidade do vermelho original era bem mais viva. ‚ÄúMandei fazer a tinta a partir de uma amostra do original‚ÄĚ, conta Valente. A parte el√©trica passou por uma grande revis√£o. Naz√°rio havia colocado aquecimento, vidros el√©tricos e alarme, fora os instrumentos da Avionics. ‚ÄúTudo foi desmontado e refizemos parte do chicote el√©trico‚ÄĚ, diz o dono.Todos esses recursos desapareceram. ‚ÄúConsegui todos os emblemas originais. A forra√ß√£o estava perfeita e o estepe ainda era o de f√°brica (Pirelli CN 15), quase sem uso‚ÄĚ, completa. Acertadostodos os ponteiros, o esportivo voltou √† ativa.

O Dardo chama atenção por onde passa. Os faróis escamoteáveis, cada vez mais raros nos carros atuais, despertam curiosidade. Além de oferecer ótima posição de dirigir, os comandos bem localizados oferecem conforto ao motorista. O acabamento interno, que o dono diz estar mais esmerado que no original, é todo de couro nos bancos, no painel e nas portas.

Na √©poca em que era vendido nas lojas, havia caracter√≠sticas do carro que n√£o combinavam com sua sofistica√ß√£o e o pre√ßo cobrado. Vidros com acionamento manual demandam nada menos que oito voltas, os cintos n√£o s√£o retr√°teis e os retrovisores t√™m controle manual. No teste do Dardo em fevereiro de 1981, QUATRO RODAS notava que havia ondula√ß√£o na carroceria, massa cobrindo defeitos na capota e porta-malas que n√£o fechava. Era algo inaceit√°vel para um carro de 980.000 cruzeiros ‚Äď o equivalente a 153.034 reais, em valores atualizados. Por outro lado, podia vir equipado com ar-condicionado, o que n√£o √© o caso deste.

Pode-se guiá-lo sem a pequena capota rígida mesmo em dias mais frios, desde que os vidros fiquem levantados. Isso ajuda a perceber o baixo nível de ruído do motor dentro do habitáculo. Só ao redor de 4.500 rpm é que o barulho começa a incomodar. Além disso, o isolamento térmico evita que o motorista sinta o calor vindo do motor central, localizado logo atrás dele. Só o radiador fica na dianteira.

O motor deixa a desejar, especialmente para a proposta do carro. No teste de 1981, alcan√ßou 146,6 km/h e foi de 0 a 100 km/h em 18,8 segundos. Em contrapartida, √© bem econ√īmico para um esportivo, fazendo 13,1 km/l. O c√Ęmbio de quatro marchas, ponto fraco do Fiat 147 na √©poca, n√£o poderia se apresentar diferente no Dardo. Os engates torturam o motorista pela imprecis√£o, especialmente numa tocada mais esportiva. Feitas suavemente, as trocas tendem a ocorrer sem maiores problemas, embora a aus√™ncia de uma quinta marcha seja sentida. No teste, √†s vezes n√£o entrava marcha alguma. ‚ÄúComportou-se como um aut√™ntico c√Ęmbio Fiat‚ÄĚ, sentenciou a revista.

A suspens√£o, independente e r√≠gida, torna o Dardo um carro muito est√°vel nas curvas. O carro tem boa distribui√ß√£o de peso, o que faz o motorista controlar a dire√ß√£o com facilidade e leveza. Mesmo sem assist√™ncia hidr√°ulica, os 32 cent√≠metros de di√Ęmetro do volante facilitam as manobras em locais apertados. Embora seja um carro baixo, com 15,7 cent√≠metros de altura livre do solo, em ruas e estradas com ondula√ß√Ķes ou passando por quebra-molas √© dif√≠cil raspar o esportivo. Equipado com freios a disco nas quatro rodas, talvez seu mais valioso diferencial, o modelo responde bem ao comando do motorista sem causar sustos.

Se n√£o oferece o desempenho sangu√≠neo de um esportivo italiano, o Dardo tem as linhas, a posi√ß√£o de dirigir e a firmeza nas curvas que n√£o fariam feio na It√°lia. Num tempo em que a maior parte dos fora-de-s√©rie nacionais tinha motor de Fusca, com resultados equivalentes, o Dardo foi um belo corpo para a primeira incurs√£o da mec√Ęnica Fiat nesse universo de carros exclusivos.

Fonte: Quatro Rodas
Texto: Fabiano Pereira

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