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Glasspar G2: a história do primeiro carro com carroceria de fibra de vidro

Submitted by on 26 de dezembro de 2017 – 15:16No Comment

glassparg2

Estamos em plena era da fibra de carbono quando o assunto são carros esportivos. O material leve e resistente começa, aos poucos, a deixar de ser exclusividade dos superesportivos caríssimos para aparecer em automóveis mais acessíveis – há sedãs com teto e portas de fibra de carbono e hot hatches com peças de fibra de carbono no interior. É o caminho natural de toda tecnologia, na verdade. E foi assim também com a fibra de vidro.

Agora, o material que chamamos popularmente de “fibra de vidro” não é fibra de vidro pura: seu nome completo é sim plástico reforçado com fibra de vidro (glass fiber reinforced plastic, ou GFRP). A fibra de vidro fornece a resistência, o plástico dá aforma e a resina dá liga. As fibras de vidro podem ser soltas ou dispostas em uma trama, como vemos com a fibra de carbono.

A fibra de vidro possui propriedades mecânicas muito semelhantes à fibra de carbono. Embora não seja tão leve ou tão rígida, é tão maleável quanto a fibra de carbono, e muito mais barata – tanto que nos anos 30, muito antes de ser usada nos automóveis, a fibra de vidro já era usada em embarcações e aeronaves.

E foi justamente uma fabricante de barcos de fibra de vidro a responsável pelo primeiro automóvel de fibra de vidro vendido ao público: o Glasspar G2, de 1950 – três anos antes do Chevrolet Corvette, que foi um dos primeiros carros de fibra de vidro produzidos por uma grande companhia.

Antes de continuar, um pouco de contexto para te ajudar a entender por que alguém teria a ideia de fazer um carro de fibra de vidro. Estamos falando da segunda metade dos anos 40, depois da Segunda Guerra Mundial, com muitos jovens veteranos voltando da Europa com tempo livre e cheios de adrenalina.

Enquanto serviam, muitos deles tiveram contato com um tipo novo de carro: esportivos pequenos, leves e bons de guiar, sem teto e com apenas dois lugares. Então, ao chegar nos EUA, se depararam com outra novidade – os hot rods, que eram populares desde o fim dos anos 30 e consistiam em aliviar peso e preparar o motor dos cupês da Ford e da Chevrolet. O que aconteceu? É só ligar os pontos: a popularidade dos hot rods explodiu, e ajudou a dar origem a competições de arrancada sancionadas e a categorias como a Nascar. Havia também quem trouxesse carros esportivos europeus para este lado do Atlântico, como os Morris, Triumph ou Jaguar.

Um destes ex-combatentes gearheads era o major Ken Brooks, da Força Aérea dos Estados Unidos. Brooks era amigo de Bill Tritt, dono da Glasspar, e os dois começaram a projetar em 1949 a carroceria de um hot rod. Foi Tritt quem convenceu Brooks a usar fibra de vidro em vez de alumínio, convencido de que o carro seria tão leve e durável quanto, e que ainda custaria mais barato.

O projeto começou em 1950, e o carro escolhido como base foi o Willys Americar 1940, cupê com entre-eixos de 2,59 metros que, na verdade, era uma opção bastante comum para quem estava construindo um esportivo: barato, fácil de encontrar e dotado de um quatro-cilindros de 2,2 litros e 60 cv que era logo trocado por algo mais potente. Na verdade o Americar era tão requisitado pelos hot rodders que hoje em dia é muito difícil encontrar um exemplar original.

No caso do carro de Brooks, decidiu-se por manter o motor original, modificando apenas a estrutura do carro para receber a nova carroceria de fibra de vidro desenhada e fabricada por Tritt. O carro foi batizado como Brooks Boxer, apesar de seu motor ser um quatro-cilindros em linha, e ficou pronto em junho de 1951.

Sua primeira aparição pública aconteceu em 1951, durante o Petersen Motorama, evento automotivo realizado entre 1950 e 1955 que contava com a presença de hot rods, carros de arrancada, motocicletas e conceitos – era uma mistura de Salão do Automóvel e SEMA Show que invadia o Museu Automotivo Petersen, em Los Angeles, na Califórnia.

O Brooks Boxer foi muito bem recebido no evento, o que levou Tritt a pensar na possibilidade de produzi-lo em série. Ele sequer mexeu no desenho da carroceria, pois gostava das linhas e das proporções inspiradas pelo Jaguar XK120, lançado em 1948. Apenas criou uma nova grade, rebatizou o projeto como Glasspar G2 (pois o “G1” era o Brooks Boxer) e beleza.

Poucos exemplares do carro foram fabricados e vendidos prontos – a Glasspar preferia vender apenas a carroceria para ser adaptada sobre o chassi do Americar, ainda que existisse a opção de comprar um chassi pronto fornecido pela própria Glasspar.

De acordo com a maioria das fontes, foram feitos cerca de 200 carrocerias do Glasspar G2 entre 1951 e 1953. Algumas delas foram vendidas já com chassi e motor instalados, de origem Volvo ou Willys. Depois disto, Tritt saiu da empresa, que deixou então de fabricar carros esportivos para focar-se novamente nos barcos.

Foi uma viagem curta, mas rendeu frutos: outras companhias começaram a experimentar com a fibra de vidro – o próprio Chevrolet Corvette foi um dos carros que surgiram nesta época, usando fibra de vidro em sua construção até hoje.

E, se o Glasspar foi o primeiro, aproveitemos para perguntar: que outros carros de fibra de vidro marcantes você conhece? E qual é o seu favorito?

Texto: Dalmo Hernandes

Fonte: FlatOut

Rodão

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