Confira as novidades apresentadas no Salão Duas Rodas
20 de novembro de 2017 – 13:49 | Comentários desativados

As principais empresas do setor de motos do Brasil apresentaram suas novidades para 2018 no Salão Duas Rodas, em São Paulo. Mesmo em um mercado que ainda sente os efeitos da crise econômica, foi possível …

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Este é o emprego dos sonhos para quem é apaixonado por carros

Submitted by on 19 de outubro de 2017 – 10:29No Comment

carro

São Paulo — O ano era 1989. Aos 21 anos de idade, Cesar Urnhani se tornou o piloto de testes mais jovem do Brasil. Quase 30 anos depois, acabaria se tornando também o mais famoso. Pudera: desde garoto ele trabalhara numa oficina mecânica e, “com a mão na graxa”, aprendeu cada segredo do funcionamento de um carro.

Com passagens pela Autolatina — uma joint venture formada por Volkswagen e Ford entre 1987 e 1994 — e pela Pirelli, ele trabalha atualmente como piloto do programa AutoEsporte, da TV Globo, além de dar palestras sobre direção defensiva e treinar profissionais da área.

Em entrevista ao site EXAME, Urnhani diz que sua profissão é ideal para quem sente um prazer indescritível ao segurar o volante de um carro e pisar no acelerador, e sonha em transformar sua paixão em trabalho.

Quem ingressa na profissão normalmente começa como motorista de testes. Sua função é avaliar a durabilidade de amortecedores, pneus e outros componentes de um veículo, e depois fazer relatórios sobre fenômenos que aconteceram no carro durante os experimentos.

O próximo passo na carreira é se tornar, efetivamente, um piloto de testes — um profissional com sensibilidade mais apurada, que não se preocupa apenas com a durabilidade, mas com a performance do veículo e suas partes.

O que faz esse profissional?

“Nossa missão é dizer se o sonho dos engenheiros que projetaram o automóvel se materializou ou não, e o que falta para chegar lá”, explica Urnhani.

O trabalho inclui analisar variáveis como desempenho dos componentes, conforto do assento, posição do volante e até a facilidade de uso dos assistentes digitais do carro.

Paixão é um fator básico para se dar bem nessas atividades: Urnhani chega ficar até 7 horas por dia dentro de um carro, 7 dias por semana. “Até quando estou de férias, dou uma escapada para o estacionamento, entro no carro, ligo, sinto o volante, porque estou com saudade”, conta.

O amor pelo universo automotivo tem “peso total” para o sucesso, nas palavras do piloto de testes mais famoso do Brasil, mas não basta para se dar bem na profissão. Também é essencial ter empatia.

“Quem testa carros não pode fazer críticas segundo os próprios gostos”, alerta Urnhani. “Você precisa conhecer o estilo do consumidor daquele modelo específico, e fazer um diagnóstico a partir das suas necessidades e expectativas pessoais”.

Quais são os requisitos para ingressar na área?

De acordo com Roberto Falkenstein, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pirelli, não há nenhuma formação específica para se candidatar a uma vaga de piloto de testes na empresa. O que mais importa é o “dom natural” do candidato.

Claro que isso é colocado à prova: o processo seletivo da Pirelli inclui um teste prático em que você deve distinguir jogos de pneus de acordo com suas características básicas, e dar um parecer técnico. A empresa tem uma vaga aberta atualmente na área e interessados podem se candidatar neste link.

Embora diploma de nível superior não seja obrigatório, é preciso ter alguma experiência em concessionárias, montadoras ou empresas de algum modo ligadas ao setor automotivo.

Na falta de uma graduação na área, a dica é procurar cursos técnicos específicos sobre pilotagem e automobilismo, oferecidos por instituições como a AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) e a SAE (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade).

Segundo Falkenstein, a Pirelli oferece um treinamento que dura de 4 a 5 anos para formar seus pilotos de testes. “O profissional passa uma grande quantidade de horas sentado no veículo avaliando a qualidade dos pneus e aprendendo quais são as preferências de cada montadora”.

 É essencial falar bem — e não só em português

Frequentemente, a formação dos pilotos acontece tanto no Brasil quanto na Europa. Daí a importância de o candidato a uma vaga na área ter inglês fluente. No caso da Pirelli, falar italiano é considerado um diferencial, dada a origem da empresa.

“Nossos pilotos frequentemente vão para países como Estados Unidos, Bélgica e Japão para fazer testes, então idiomas são muito valorizados”, explica Falkenstein.

A comunicação, de forma geral, é uma competência essencial para ter sucesso na área. Além de dirigir bem, entender de mecânica e ser sensível às peculiaridades de cada máquina, também é fundamental falar e escrever bem.

“Não adianta você só identificar o que precisa melhorar, você precisa saber traduzir isso em palavras exatas e precisas, para tornar a mensagem compreensível para outras pessoas, muitas vezes leigas no assunto”, afirma Urnhani.

Carreira tem ganhado status estratégico

Com salários que atualmente chegam a 15 mil reais, os pilotos de testes surgiram no Brasil assim que a indústria automobilística se instalou no país, na metade do século 20. Nas décadas de 1980 e 1990, a profissão viveu uma explosão, puxada pela aceleração da indústria nacional.

Dos anos 2000 para cá, o mercado se tornou um pouco mais restrito. A realidade virtual acabou substituindo diversos testes físicos, e uma onda de terceirizações acabou atingido a atividade do motorista de testes —aquele que se dedica à avaliação da durabilidade do automóvel.

Já o piloto de testes — que se preocupa com a performance do veículo —continua tendo contrato fixo com os empregadores de forma geral. E os melhores profissionais são disputados a tapa por montadoras, fornecedores e fabricantes de peças como pneus e amortecedores.

Segundo Urnhani, o piloto de testes tem status cada vez mais estratégico nas empresas do setor automotivo. “Ele lida com informações altamente confidenciais, guardadas a sete chaves, então é esperado que atue com muita ética e discrição”, explica.

De acordo com Falkenstein, diretor da Pirelli, os profissionais da área podem alçar posições gerenciais, embora o mais comum seja que sigam carreira como especialistas — muito bem remunerados, por sinal.

O modelo de carreira em Y é uma opção comum entre profissionais da área: em vez de alçar um cargo de liderança, o piloto se torna uma espécie de técnico sênior, com status e salário equiparados aos dos gestores da empresa.

Texto: Glaudia Gasparini

Fonte: Exame

Rodão

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